Filho de Antonio Pereira Prestes e Leocádia Pereira Prestes,
[1] formou-se no secundário no
Colégio Militar e em Engenharia Militar pela Escola Militar do Realengo
[1] no
Rio de Janeiro, em 1919, atual
Academia Militar das Agulhas Negras. Foi engenheiro ferroviário na Companhia Ferroviária de
Deodoro, como
tenente, até ser transferido para o
Rio Grande do Sul.
O início do movimento rebelde
Preocupado em garantir uma boa alimentação para a tropa, contratou um padeiro e um cozinheiro, também organizou as atividades e o tempo dos seus subordinados de maneira que todos pudessem estudar (em 3 meses, não havia analfabetos na companhia), receber educação física e instrução militar, além de trabalharem na construção da linha férrea que ligaria
Santo Ângelo a
Giruá.
[2] Em outubro de
1924, já capitão, Luís Carlos Prestes liderou um grupo de rebeldes na
região missioneira Rio Grande do Sul, saiu de
Santo Ângelo, e se dirigiu para São Luiz Gonzaga onde permaneceu por dois meses aguardando munições do Paraná, que não vieram. Aos poucos foi formando o seu grupo de comandados que vieram de várias partes da região. Rompendo o famoso "Anel de ferro" propagado pelos governistas, rumou com sua recem formada coluna para o norte até
Foz do Iguaçu. Na região sudoeste do estado do
Paraná, o grupo se encontrou e juntou-se aos paulistas, formando o contingente rebelde chamado de
Coluna Miguel Costa-Prestes, com 1500 homens, que percorreu por dois anos e cinco meses 25.000 km. Em toda esta volta, as baixas foram em torno de 750 homens devido à
cólera, à impossibilidade de prosseguir por causa do cansaço e dos poucos cavalos que tinham, e ainda poucos homens que morreram em combate.
Os estudos na Bolívia e na União Soviética
Prestes, apelidado de "Cavaleiro da Esperança", passa a estudar
marxismo na
Bolívia, para onde havia se transferido no final de
1928, quando a maioria da Coluna Miguel Costa-Preste havia se exilado. Lá travava contato com os
comunistas argentinos
Rodolfo Ghioldi e
Abraham Guralski, este último dirigente da
Internacional Comunista (IC).
Em
1930 retorna clandestinamente a Porto Alegre onde chega a ter dois encontros com
Getúlio Vargas. Convidado a comandar militarmente a
Revolução de 30, recusa-se a apoiar ao movimento, colocando-se contra a aliança entre os tenentistas e as oligarquias dissidentes.
Em 1931, muda-se para a
União Soviética a convite do país. Lá, trabalha como engenheiro e dedica-se a estudos marxistas-leninistas. Por pressão do
Partido Comunista da União Soviética, é aceito como filiado pelo PCB, em agosto de
1934.
Sendo eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista, volta como clandestino ao
Brasil em dezembro de
1934, acompanhado pela alemã
Olga Benário, também membro da IC. Seu objetivo era liderar uma revolução armada no Brasil, decidido em Moscou.
O comando da ANL e a deportação de Olga
No Brasil, Prestes encontra o recém constituído movimento
Aliança Nacional Libertadora (ANL), de cunho antifascista e anti-imperialista, que congregava tenentes,
socialistas e
comunistas descontentes com o Governo Vargas. Mesmo clandestino, o
Cavaleiro da Esperança é calorosamente aclamado presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro.
Prestes procura então aliar o enorme crescimento da ANL, com a retomada de antigos contatos no meio militar para criar as bases que julgava capazes de deflagrar a tomada do poder no
Brasil. Em julho de
1935 divulga um manifesto exigindo "todo o poder" à ANL e a derrubada do governo Vargas.
Vargas aproveita a oportunidade e declara a ANL ilegal, o que não impede Prestes de continuar a organizar o que acabou por ficar conhecido como a
Intentona Comunista.
Em novembro eclode a insurreição nas guarnições do exército de
Natal,
Recife e
Rio de Janeiro (então Distrito Federal), mas é debelada por Vargas, que desencadeia um violento processo de repressão e prisões.
Suspeitou-se que uma moça chamada Elvira Cupelo Colônio, mais conhecida como "Elza Fernandes", a qual namorava o então Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim —o "Miranda"–, estaria delatando os companheiros à polícia. Considerada uma ameaça naquela circunstância, uma vez que, sob tortura, poderia entregar diversos companheiros à prisão e à tortura, a jovem foi condenada à morte pelo "tribunal vermelho". Prestes era soldado do Partido, e a esses soldados não se admitiam crises de consciência."
[3][4]
Como um dos membros do tribunal opôs-se à condenação, Prestes escreveu uma carta célebre aos correligionários:
Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária." … "Por que modificar a decisão a respeito da "garota"? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido…?" … "Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar…" … "Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião."
Alguns dias depois Elvira Colônio foi estrangulada com uma corda, em uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na
Estrada do Camboatá. O corpo foi enterrado no quintal da casa.
Na época, Moscou criara em
Montevidéu,
Uruguai, o Secretariado Latino Americano que operava clandestinamente e queria aproximar as organizações comunistas da América Latina de
Moscou. Olga e Prestes eram apoiados financeira e logisticamente através desta organização. Após o fracasso da
Intentona Comunista e a descoberta destas operações, o Uruguai rompeu relações com a
União Soviética, no final de 1935.
[5]
Em março de
1936, Prestes é preso, perde a patente de capitão e inicia uma pena de prisão que durará nove anos. Sua companheira Olga Benário, grávida, é deportada e morre na câmara de gás no
campo de concentração nazista Ravensbrück. A criança,
Anita Leocádia Prestes, nasceu em uma prisão na Alemanha, mas foi resgatada pela mãe de Prestes, após intensa campanha internacional.
[6]
O fim do Estado Novo, anistia, e a volta à clandestinidade
Com o fim do
Estado Novo, Prestes foi anistiado, elegendo-se Senador. Foi Senador de 1946 a 1948.
[1]
Assumiu a secretaria geral do PCB. O registro do partido foi cassado, e novamente Prestes foi perseguido e voltou à clandestinidade.
Na Assembleia Constituinte de 1946, Prestes liderava a bancada comunista de 14 deputados composta por, entre outros, Jorge Amado, eleito pelos paulistas, Carlos Marighela, pelos baianos, João Amazonas, o mais votado do país, escolha de 18.379 eleitores do Rio, e o sindicalista Claudino Silva, único constituinte negro, também eleito pelo Rio.
Durante a Constituinte, Prestes fechou questão, a favor da emenda nº 3.165, de autoria do deputado carioca Miguel Couto Filho, tal emenda dizia: "É proibida a entrada no país de imigrantes japoneses de qualquer idade e de qualquer procedência".
[7]
Em 1951, conheceu sua segunda companheira, a pernambucana Maria, que passa a se chamar
Maria Prestes. Maria era mãe de dois meninos, Pedro e Paulo. Da união com Prestes nasceram outros sete filhos: João, Rosa, Ermelinda, Luiz Carlos, Zoia, Mariana e Yuri. Prestes e Maria viveram juntos por 40 anos, até a morte de Prestes.
Em 1958, Prestes teve sua prisão decretada, porém foi revogada por mandado judicial.
] Ditadura militar
Após o
golpe militar de 1964, com o
AI-1, Prestes teve seus direitos de cidadão novamente revogados por dez anos. Foi perseguido pelo Governo, mas conseguiu fugir. Ao revistar sua casa, a polícia encontrou uma série de cadernetas que deram base a inquéritos e processos, como o que condenou
Giocondo Dias.
Exilou-se na
União Soviética no final dos anos 1960, regressando ao Brasil devido à
Anistia de
1979.
Os membros do PCB que também voltavam do exílio após o
regime militar, de orientação
eurocomunista, e que se tornaram maioria no Comitê Central do Partido, não mais aceitaram suas orientações, por considerarem-nas retrógradas, rígidas demais e pouco adaptadas aos tempos de então. Destituíram-no da liderança do PCB. Por divergências com o comitê central do partido, lança a
Carta aos Comunistas, em que defende uma política de maior enfrentamento ao regime e uma reconstrução do movimento comunista no país. Em
1982, conjuntamente a vários militantes, sai do PCB,ingressando no PDT. Milita em diversas causas, como o não pagamento da dívida externa latino-americana e pela eleição de
Leonel Brizola em
1989.
Representações na cultura
Luís Carlos Prestes já foi retratado como personagem no cinema e na televisão. No cinema, o filme "O País dos Tenentes" (João Batista de Andrade/1987)onde LCP é interpretado por
Cassiano Ricardo, que depois o representou também na novela
Kananga do Japão (1989) e
Caco Ciocler no filme
Olga (2004).
Em
1997, foi lançado o documentário
Prestes, o cavaleiro da esperança e em
1998, no ano do centenário de seu nascimento, a escola de samba
Acadêmicos do Grande Rio o homenageou em seu desfile no grupo especial do
carnaval do Rio de janeiro com enredo
Cavaleiro da Esperança, obtendo o 8° posto.
O cantor e compositor
Taiguara, que foi um grande amigo e seguidor de Prestes, fez a canção
Cavaleiro da Esperança em sua homenagem, assim como a banda pernambucana Subversivos também fez uma canção em sua homenagem com o mesmo nome.
Jorge Amado em prosa e verso retrata a saga da coluna Prestes em seu livro
O Cavaleiro da Esperança, publicado em
1944.
O poeta chileno
Pablo Neruda, em seu livro mais aclamado,
Canto Geral (obra que remonta a história da América Latina do ponto de vista dos povos explorados), dedicou um poema a Luís Carlos Prestes. Nele, Prestes é chamado por Neruda de "claro capitão". O poema foi lido em visita ao Brasil do poeta comunista no ano de 1945, no estádio do Pacaembu: "Quantas coisas quisera hoje dizer, brasileiros…"